O calor extremo que atinge a Europa tem forçado uma mudança na percepção sobre o ar-condicionado, que antes era visto como um luxo energético. A demanda por refrigeração cresce em meio a ondas de calor intensas, pressionando sistemas de saúde e infraestrutura urbana.
Por décadas, o equipamento de refrigeração artificial foi distante na cultura europeia, especialmente no norte do continente, devido ao clima ameno e aos altos custos de energia. Contudo, a sucessão de ondas de calor, com temperaturas acima de 40°C em países como França e Alemanha, alterou essa visão. Enquanto a média de uso residencial na Europa é de 20%, nos Estados Unidos e Japão esse índice atinge 90%.
A diferença histórica se deve à arquitetura tradicional de muitas regiões do sul europeu, que utiliza ventilação natural, e ao custo elevado da energia elétrica. O debate atual, no entanto, envolve um dilema: os aparelhos protegem a população de riscos fatais, mas aumentam o consumo energético e podem intensificar o efeito de ilha de calor urbana. Um estudo de 2020 em Paris apontou que o uso massivo pode elevar a temperatura externa entre 2 e 4 °Celsius.
Diante disso, a discussão se expandiu para eficiência energética e modernização de edifícios. Relatórios de mercado indicam que a tendência de crescimento é forte: a receita de unidades de ar-condicionado na Europa deve saltar de 8,35 bilhões de euros em 2024 para 11,43 bilhões de euros em 2029, segundo análise do portal online alemão Statista.

