O cenário econômico brasileiro piora, limitando o espaço para queda consistente da taxa Selic em 2026. Fatores externos, como o petróleo acima de US$ 90 devido ao conflito no Oriente Médio, e estímulos fiscais domésticos elevam o risco inflacionário, conforme apontam analistas de mercado.
A deterioração econômica recente frustra expectativas de afrouxamento monetário controlado. O conflito no Oriente Médio mantém o barril de petróleo Brent acima de US$ 90, o que encarece insumos industriais e fertilizantes. Soma-se a isso o impacto climático do El Niño, que projeta encarecimento da alimentação em cerca de 7%, valor o dobro do esperado no início do ano.
No âmbito internacional, a força da economia americana reduz as expectativas de cortes agressivos de juros pelo Federal Reserve, o que pressiona o dólar frente ao real. Internamente, o governo Luiz Inácio Lula da Silva alimenta a inflação com estímulos fiscais e creditícios que somam cerca de R$ 150 bilhões.
Em resposta, a projeção consensual do IPCA subiu há 12 semanas consecutivas, atingindo 5,09%, acima da meta oficial de 3% do Banco Central. Instituições financeiras revisam para cima as estimativas da Selic, que pode não cair abaixo de 14% até dezembro. A alta taxa, contudo, amplia o estresse financeiro, com inadimplência e pedidos de recuperação judicial atingindo novos recordes.


