A China estabeleceu contato com a África Oriental em 1405, enviando presentes como uma girafa ao imperador Ming Yongle. Um ano depois, em agosto de 1415, portugueses atacaram Ceuta, no norte do continente, iniciando a exploração militar da região.
O historiador Roger Crowley relata que o presente, enviado pelo sultão de Malindi, na costa do atual Quênia, não foi um gesto de subserviência. A primeira frota chinesa, comandada pelo almirante Zheng He, partiu de Nanquim em 1405. Ela contava com cerca de 250 barcos e 30 mil homens, e seu objetivo era a Índia e a África Oriental.
Segundo Crowley, as expedições chinesas utilizavam técnicas não violentas para projetar a presença do país. Ele afirmou que “em nenhum momento houve tentativas de ocupação militar, nem de bloquear o sistema de livre comércio que imperava”. A China demonstrava que “não queria tomar-lhes nada, e demonstrava isso dando, ao invés de tomando”.
Em contraste, em agosto de 1415, os portugueses chegaram a Ceuta, no norte da África, com intenção de conflito. Eles tomaram o porto muçulmano em três dias de saques e massacres, um evento que marcou o início da exploração portuguesa na África.
Após a morte de Zheng He em 1433, as viagens marítimas chinesas cessaram. A política interna da China mudou, e os imperadores subsequentes reforçaram a Grande Muralha, proibindo registros das expedições e fechando as portas de entrada e saída.

