O sistema financeiro global enfrenta um risco crescente de ciberataques, que o JPMorgan classifica como maior ameaça que o colapso de crédito. O analista Kian Abouhossein alertou que falhas em sistemas bancários podem ser exploradas por modelos de inteligência artificial em poucas horas.
O relatório do JPMorgan indica que a capacidade de modelos de IA de fronteira, como o Mythos e o GPT-5.5, permite identificar e explorar vulnerabilidades bancárias rapidamente. Isso comprime a janela de tempo que as instituições têm para corrigir brechas de segurança antes que criminosos as utilizem.
Para mitigar esse risco, o JPMorgan sugere a implementação de testes de resistência de infraestrutura mais rigorosos. O banco também recomenda incluir em testes de estresse cenários de corrida em massa de saques, acionados por incidentes cibernéticos, como ocorreu com o Credit Suisse em 2023.
Em comparação, bancos dos Estados Unidos e da China são vistos como mais preparados devido ao maior investimento em tecnologia e acesso a IA avançada. Bancos europeus, com orçamentos menores, aparecem em posição mais vulnerável, o que justifica, segundo o JPMorgan, uma reavaliação de múltiplos de mercado.
No Brasil, o setor bancário demonstra atenção ao tema. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, bancos brasileiros planejam investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia da informação e comunicação (TIC) em 2026. Cibersegurança atingiu 100% de prioridade entre as instituições ouvidas, ao lado de cloud computing e inteligência artificial.

