A disputa presidencial de 2026 exige que candidatos apresentem projetos de governo concretos, segundo a cientista política Lara Mesquita, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ela afirmou que o principal desafio não é apenas superar a máquina pública, mas sim detalhar planos econômicos e sociais, algo que difere do cenário de 2018.
Mesquita declarou que o candidato precisa apresentar uma agenda clara sobre economia, saúde e segurança pública. Ela explicou que o governo deve ter um plano, pois a falta de controle orçamentário pode gerar dificuldades, diferentemente do que ocorreu em eleições anteriores. “Vai ter que trazer uma agenda. Esse é o principal desafio para quem desafia o governo”, disse ela durante o programa de política.
A análise se baseia em uma mudança estrutural na política brasileira. Segundo a especialista, enquanto o presidente em exercício pode usar resultados de governo para apoiar sua candidatura, o adversário precisa convencer o eleitor de que pode administrar um cenário cada vez mais complexo. A lógica eleitoral tende a favorecer quem já está no poder, especialmente se a percepção econômica for estável.
A economia permanece como critério decisivo para o eleitorado. Estudos de ciência política mostram que a memória do eleitor sobre a economia é de curto prazo, concentrando o peso da percepção nos seis meses que antecedem a eleição. Isso aumenta a pressão sobre a oposição para oferecer alternativas viáveis caso o eleitor avalie melhoria em sua situação financeira.

