Pesquisadores analisaram o comportamento de mais de 130 espécies em 160 terremotos e concluíram que não há evidências científicas suficientes para afirmar que os animais preveem tremores. A análise, publicada no Bulletin of the Seismological Society of America, distingue a reação a vibrações leves da capacidade de antecipação do fenômeno.
Heiko Woith, sismólogo do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, revisou mais de 700 observações. A conclusão foi que a maioria dos casos relatados era anedótica e difícil de reproduzir. O pesquisador explicou que o mais provável é que os animais reajam às vibrações leves que antecedem um terremoto forte, e não que estejam prevendo o fenômeno em si.
A diferença entre detectar e prever é crucial. Segundo o Instituto Geográfico Nacional da Espanha, quando a terra se rompe, são liberadas ondas P, rápidas, e ondas S, que causam os maiores danos. Cães e gatos, com audição mais sensível, percebem as ondas P antes das ondas S, mas o intervalo entre elas é de apenas alguns segundos, e não horas ou dias.
Exemplos históricos mostram a complexidade do tema. Em Haicheng, China, em 1975, a evacuação ocorreu após relatos de comportamento incomum de animais, mas também com base em sinais geológicos. Já o tsunami de Sumatra, em 2004, não registrou comportamento incomum em elefantes monitorados por satélite antes do desastre.
Os animais podem servir como um sistema complementar de alerta precoce, mas não substituem os sistemas oficiais de monitoramento sísmico. Especialistas recomendam que moradores de áreas de risco conheçam os protocolos de evacuação e confiem nos alertas oficiais.

