Cientistas do grupo World Weather Attribution (WWA) concluíram que a mudança climática é causa inequívoca da intensidade da onda de calor que afeta a Europa. O estudo, publicado nesta sexta-feira (26), afirma que as temperaturas atuais seriam praticamente impossíveis na mesma época do ano em 1976.
Os pesquisadores, que analisam a responsabilidade humana em fenômenos meteorológicos extremos, calcularam que uma onda de calor similar em 1976 teria sido 3,5°C menos quente durante o dia e 2,4°C menos quente durante a noite. Theodore Keeping, do Imperial College de Londres, um dos autores, declarou que a probabilidade de um evento como este mudou enormemente nos últimos 50 anos, período em que o planeta aqueceu 1,1°C.
O calor extremo no oeste da Europa persiste há mais de uma semana, resultado de uma massa de ar quente da África comprimida por altas pressões. Friederike Otto, do Imperial College de Londres, comentou que o fenômeno climático não é incomum, mas as temperaturas atuais não eram antes das mudanças climáticas de origem humana.
As mudanças climáticas decorrem do uso em larga escala de energias fósseis, como carvão, petróleo e gás natural, e do desmatamento. O estudo comparou dados meteorológicos atuais com observações de 2003 e 1976. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que ondas de calor causaram mais de 200 mil mortes na Europa em quatro anos.

