Cientistas franceses desenvolveram o anticorpo NP137, uma nova terapia coadjuvante, que combate a resistência de células cancerígenas do pâncreas à quimioterapia. O tratamento, testado em 43 pacientes, demonstrou melhoria na sobrevida e na resposta aos medicamentos.
O câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade, com cerca de 13% dos pacientes sobrevivendo cinco anos após o diagnóstico, segundo dados da Sociedade Americana do Câncer. O anticorpo NP137 atua bloqueando um mecanismo de resistência celular, conforme explicou o pesquisador Patrick Mehlen, líder da equipe do CNRS, Centro Léon Bérard e Universidade Claude Bernard Lyon 1. Os resultados foram publicados na revista científica Nature em abril.
A terapia pode ser combinada com o daraxonrasib, um medicamento que visa mutações do gene KRAS, presente em aproximadamente 90% dos casos. Em ensaio clínico de fase 1b, o anticorpo melhorou a resposta à quimioterapia e aumentou a sobrevida em pacientes com câncer localmente avançado, sem contraindicação cirúrgica. O estudo não indicou sinais de toxicidade.
A pesquisa focou em um processo celular chamado transição epitélio-mesenquimal (EMT), que permite a migração celular e a formação de metástases. Os cientistas observaram que, em pacientes com receptor da netrina-1, a sobrevida aumentou e houve menos recaídas após o uso do anticorpo em conjunto com a quimioterapia.

