Cientistas detectaram evidências de vento em escala cósmica proveniente do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea. O objeto, conhecido como Sagittarius A*, tem massa equivalente a cerca de 4 milhões de sóis e intrigava a comunidade científica por mais de 50 anos.
A dupla de pesquisadores, Mark Gorski e Lena Murchikova, acredita ter encontrado sinais do vento que faltava após cinco anos de observações. Eles criaram uma imagem detalhada da área ao redor do buraco negro e identificaram uma grande cavidade em forma de cone desprovida de gás frio. Segundo os autores do estudo, essa característica foi esculpida por um vento de gás quente vindo diretamente do objeto.
Gorski comparou o efeito do vento ao de um secador de cabelo, que sopra ar quente e turbulento em material mais frio. O estudo sugere que o gás quente deixou uma assinatura clara ao varrer o gás frio ao redor. Cientistas já observaram fluxos de saída semelhantes em outros buracos negros supermassivos, que regulam o crescimento de suas galáxias hospedeiras.
A dificuldade em detectar o vento se deve a dois fatores, explicou Gorski: os instrumentos só se tornaram avançados o suficiente para ver através da poeira e do gás, e o Sagittarius A* está em um período de quietude, o que torna o vento mais fraco. Murchikova comentou que o resultado confirma que a física dos buracos negros funciona como esperado, apesar da dificuldade de encontrar um vento tão fraco.

