Um grupo internacional de pesquisadores alertou que a resistência de fungos patogênicos a medicamentos exige foco no próximo Plano de Ação Global sobre Resistência Antimicrobiana da Organização Mundial da Saúde (OMS). O alerta, publicado em abril, aponta que a expansão fúngica compromete terapias e aumenta mortes por infecções graves.
Os autores, que incluem três pesquisadores brasileiros, afirmaram que a resistência antifúngica está se expandindo entre patógenos humanos, comprometendo a eficácia de terapias de primeira linha e elevando mortes por infecções fúngicas graves. Por isso, propuseram ação imediata e o estabelecimento de uma força-tarefa com especialistas em micologia, saúde pública, saúde animal e formuladores de políticas públicas.
A resistência antimicrobiana ocorre quando linhagens de patógenos não respondem aos medicamentos disponíveis, afetando principalmente crianças, idosos e pacientes em terapia intensiva. Os cientistas destacaram que, historicamente, a atenção científica focou em bactérias, negligenciando o perigo das infecções fúngicas resistentes, apesar de episódios como a pandemia de COVID-19 terem aumentado mortes em pacientes graves.
Para mitigar o problema, os pesquisadores defendem a incorporação de uma abordagem holística de Saúde Única (One Health) na revisão do Plano da OMS. Eles explicam que o uso indiscriminado de fungicidas na agricultura e na medicina veterinária contribui para a resistência. As propostas incluem financiamento para estudos de vigilância, desenvolvimento de diagnósticos rápidos e capacitação de laboratórios hospitalares para testes de sensibilidade.

