Cinemas inauguraram faixas matinais para exibir filmes nacionais e cumprir a cota de tela, gerando sessões sem público. A prática, que ocorre em diversas redes, expõe fragilidades na legislação do setor audiovisual brasileiro.
Exibidores criaram faixas matinais, de segunda a sexta-feira, entre 11h e meio-dia, para exibir filmes nacionais com duração máxima de 90 minutos. A medida permite que os horários comerciais, a partir das 14h, permaneçam livres para grandes lançamentos estrangeiros. Funcionários de salas relataram que, em alguns casos, as telas ficavam apagadas, reproduzindo apenas o áudio de longas nacionais.
A Agência Nacional do Cinema (Ancine), responsável pela fiscalização, expediu instrução normativa concedendo bonificações a sessões de filmes nacionais após as 17h. Apesar de não descumprirem a lei, realizadores avaliam que a falta de horários próprios para as exibições obrigatórias aponta uma fragilidade na norma. A produtora executiva Marina Rodrigues afirmou que a cota de tela brasileira “sempre foi falha, com muitas brechas”.
Leandro Mendes, secretário de regulação da instituição, disse que 2027 pode trazer mudanças significativas, como a determinação de exibições em horário nobre, caso haja aumento de público. Representantes de exibidores alegaram que programar filmes por obrigação legal gera dificuldade financeira. A meta da Ancine é aumentar o número de bilhetes vendidos, buscando um equilíbrio entre política pública e experiência do consumidor.


