A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que a maioria dos participantes inscritos na audiência pública sobre a investigação comercial dos Estados Unidos rejeitará novas tarifas contra o Brasil. Contudo, a entidade aponta que as tarifas devem ser mantidas, embora possam sofrer ajustes pontuais durante o processo de análise.
Dos 80 inscritos para falar no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), 66 devem se posicionar contra a imposição de novas tarifas, segundo a CNI. A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, explicou que a projeção considera o estágio atual da investigação. Ela afirmou que eventuais mudanças devem ser “marginais, sem alterar a direção da política comercial adotada pelos Estados Unidos”.
A investigação, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, foi aberta em 15 de julho de 2025. O diagnóstico americano concluiu que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com empresas dos EUA, levando à proposta de elevação de tarifas. A CNI alerta que, se a proposta for implementada, 31,6% das exportações brasileiras para os Estados Unidos seriam tributadas em 37,5%, um aumento de 27,5 pontos percentuais sobre os atuais 10%.
O governo brasileiro, por sua vez, avalia que a decisão do USTR possui motivações políticas. Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva disseram que o governo tentará esgotar as negociações, mas não acreditam em uma reversão completa do aumento tarifário. A diplomacia brasileira relatou que os documentos do USTR são “praticamente iguais” aos da recomendação final, indicando que argumentos técnicos foram ignorados.

