O conflito no Irã, que bloqueia cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito pelo Estreito de Ormuz, fez com que combustíveis fósseis assumissem o risco de intermitência. Essa mudança de cenário impulsiona as fontes renováveis como alternativa energética mais estável, segundo especialistas.
A discussão sobre a segurança energética ganhou novo foco no Eurelectric Power Summit, realizado em Helsinque, Finlândia. Kingsmill Bond, estrategista de energia do think tank Ember, afirmou que os combustíveis fósseis são agora intermitentes e incertos, o que era o argumento usado contra as renováveis. Bond explicou que, pela primeira vez, os formuladores de políticas possuem uma tecnologia alternativa superior aos combustíveis fósseis em momentos de choque energético.
Os líderes das empresas nórdicas reforçaram a virada. Markus Rauramo, presidente executivo da Fortum, declarou que a solução para depender de combustíveis importados com emissões de CO2 é ter eletricidade limpa produzida internamente. Birgitte Ringstad Vartdal, CEO da Statkraft, apontou que a queda de custos e o aumento da capacidade de armazenamento de baterias tornam as renováveis mais confiáveis.
A crise também acelerou a dependência europeia do GNL americano. Jan Rosenow, professor de política energética e climática da Universidade de Oxford, comentou que essa migração cria uma nova vulnerabilidade, pois expõe a Europa a um país politicamente instável. Para Rosenow, a eletricidade gerada domesticamente por renováveis é a única fonte sem risco de dependência externa.


