Cora Coralina, poeta nascida em 20 de agosto de 1889, na Cidade de Goiás, consolidou uma obra marcada pelo lirismo telúrico e pela observação das margens sociais. A escritora, que viveu até 1985, fez do cotidiano um campo de potência estética, dialogando com teorias críticas sobre a vida miúda.
A trajetória da poeta, que iniciou a escrita jovem, revelou uma vocação pela observação sensível da sociedade. Após um afastamento de 45 anos de Goiás, ela publicou “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais” em 1965, aos 75 anos. Sua obra utiliza o beco como metáfora social, transformando espaços marginalizados em representação das vidas esquecidas, antecipando discussões sobre desigualdade.
A consagração da escritora foi notável, sendo a primeira mulher a receber o Prêmio Juca Pato em 1983, com “Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha”. A produção se intensificou após os 90 anos, com publicações como “Meu Livro de Cordel e Estórias da Casa Velha da Ponte”. Ela foi membro fundador da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás – Aflag, em 1969.
Cora Coralina, que tomou posse na Academia Goiana de Letras em 1984, faleceu em Goiânia, em 1985, aos 95 anos. Sua poesia, descrita como “da mulher que viveu e soube viver”, estabeleceu um cânone feminino e regional, fazendo de Goiás uma paisagem poética no imaginário brasileiro.

