A criação de um corredor bioceânico que ligue o Brasil ao Oceano Pacífico pode reduzir custos de frete em 30% a 40% e diminuir o tempo de transporte para a Ásia em cerca de duas semanas, afirmou Paulo Resende, diretor do Núcleo de Infraestrutura, Logística e Supply Chain da Fundação Dom Cabral.
Segundo Resende, a viabilidade econômica do projeto está ligada à produção agrícola do Centro-Oeste brasileiro e ao interesse da China em aumentar o acesso à soja produzida no país. O especialista explicou que a demanda pelo corredor se relaciona ao desejo chinês de facilitar o escoamento da produção agrícola brasileira pelo Pacífico.
A implantação do corredor exige integração entre ferrovias e hidrovias, com foco em investimentos na região boliviana. Resende observou que, embora o Brasil possua parte da infraestrutura ferroviária, há um vazio logístico na Bolívia e limitações na capacidade portuária para receber grandes navios graneleiros.
Na visão do diretor da Fundação Dom Cabral, o corredor representa um projeto relevante para o reposicionamento do Brasil no comércio internacional. Contudo, ele alertou que a nova rota poderá gerar resistência ao alterar fluxos marítimos estabelecidos, como os que utilizam o Oceano Índico e o Canal do Panamá.

