O controle exercido por traficantes e milicianos sobre a distribuição de alimentos em comunidades do Rio de Janeiro provoca alta expressiva nos preços de produtos básicos. Moradores chegam a pagar até 4 vezes mais por itens do dia a dia, como pão francês e frango assado, devido ao monopólio imposto pelas organizações criminosas.
Comerciantes relatam que são obrigados a comprar mercadorias de empresas determinadas pelos grupos criminosos, o que elimina a concorrência local. Essa imposição faz com que os produtos cheguem mais caros e, muitas vezes, com qualidade inferior aos oferecidos por distribuidores tradicionais. Sem alternativas, os estabelecimentos repassam os custos aos consumidores.
O impacto é sentido em produtos como o frango assado, cujo preço subiu de cerca de R$ 10 para até R$ 40. A farinha de trigo também sofre com o esquema: sacos que custavam R$ 70 passaram a ser vendidos entre R$ 100 e R$ 110, encarecendo o pão francês. Especialistas apontam que o modelo funciona como um monopólio forçado, garantindo mercado para parceiros e ampliando a arrecadação do crime.
Além do aumento de custos, os comerciantes vivem sob pressão. Tentativas de negociar com outros fornecedores podem gerar ameaças ou represálias. Investigações policiais indicam que parte do dinheiro gerado por esse esquema financia atividades criminosas, como a compra de armamentos e a manutenção do controle territorial.


