A defasagem entre os valores repassados pelo governo federal e o custo real da construção civil ameaça a entrega de mais de 125 mil unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) nas regiões Norte e Nordeste. Um estudo do FNNIC e BCB Inteligência em Dados aponta que investimentos superiores a R$ 14,5 bilhões estão em risco devido à inviabilidade financeira dos contratos atuais.
A crise é causada pela inflação em insumos básicos, que pressiona o orçamento das construtoras. Dados de notas fiscais coletados em canteiros mostram aumentos significativos: o cabo de cobre subiu 64%, a tela soldada saltou 54,1% e os tubos de PVC aumentaram 33,2%. O reajuste de 3,53% aplicado no Nordeste é considerado irrisório frente à alta de 14,3% do custo real na região, enquanto na Região Norte o custo real subiu quase 36%.
O presidente do FNNIC, Marcos Antônio C. Buarque de Holanda, declarou a necessidade de readequação de preços para manter os prazos de entrega. Ele explicou que fatores externos, como a guerra do Irã, impactam os preços dos combustíveis e, consequentemente, os insumos da construção. Bruno Cantalupo, diretor da BCB Inteligência em Dados, afirmou que a paralisação do programa afetaria toda a cadeia produtiva e a economia de centenas de municípios.
Como solução, o estudo propõe ao Ministério das Cidades a adoção imediata do Índice de Reajuste MCMV FAR. Este mecanismo de correção seria formado por 50% do INCC-DI, 30% do CUB regional e 20% do IPCA. O reequilíbrio exigiria um aporte de cerca de R$ 2,57 bilhões, mas o estudo indica que cada R$ 1,00 aplicado preserva cerca de R$ 5,67 de investimento habitacional mobilizado.


