A crise ligada ao possível fechamento do Estreito de Ormuz pode manter os preços do combustível de aviação sob forte pressão até 2028, segundo a S&P Global. A oferta mundial do insumo já recuou entre 20% e 30% desde o início do conflito, gerando alta volatilidade no mercado energético.
A consultoria aponta que o mercado energético ainda é sustentado por estoques estratégicos e pelo aumento das exportações, o que tem evitado uma crise mais imediata. No entanto, fatores sazonais de demanda nos Estados Unidos e na Europa podem reduzir a disponibilidade de querosene de aviação no curto prazo. Os preços registraram oscilações significativas, passando de US$ 96 por barril em novembro de 2025 para US$ 188 em abril de 2026, antes de cair para US$ 158 em maio de 2026.
Mesmo com a eventual reabertura do Estreito de Ormuz, o alívio não será imediato. A recuperação parcial do petróleo levaria cerca de quatro meses, e as refinarias precisariam de aproximadamente cinco meses para retomar a produção anterior ao conflito. A S&P Global trabalha com três cenários, sendo o de retomada gradual a partir de julho ou agosto o que prevê preços elevados até 2028.
O impacto é sentido pelo setor aéreo. A projeção indica que os lucros das companhias aéreas cairão de US$ 45 bilhões em 2025 para US$ 23 bilhões em 2026. Nesse cenário, os gastos com combustível podem aumentar cerca de US$ 100 bilhões, podendo representar até 31% dos custos operacionais das empresas.


