A crítica analisa a administração de coleções de arte, focando nas obras de Siron Franco. O texto contrasta as séries ‘Peles’ e ‘Madonas’ com o título original ‘Figuras Imaginárias’, defendendo a manutenção da nomenclatura clássica.
O livro “Figuras e Semelhanças”, de 1995, reúne textos de Dawn Ades e organiza as pinturas de Siron Franco em dois capítulos: “Peles” e “Madonas”. No capítulo “Peles”, a seleção de pinturas retrata mulheres vestidas com peles, integrando símbolos iconográficos de calibres de armas de fogo e estatísticas de morte de animais silvestres. Em “Madonas”, as figuras são apresentadas em contextos variados, incluindo representações sexuadas sob véu de renda.
A mostra “Expressões – pinturas inquietantes para refletir”, realizada na Vila Cultural Cora Coralina, misturou as obras das duas séries. Apesar da transição criativa, o repertório das peças intriga o espectador. A obra de Siron, pertencente ao colecionador José Meireles, foi reconhecida no mercado de arte da década de 80/90 como a série “Figuras Imaginárias”.
O autor argumenta que a mudança de título para sanar uma classificação equivocada gera apenas uma solução paliativa. As figuras, que são majoritariamente femininas em casacos de pele, mantêm sua característica clássica, sendo as célebres ‘imaginárias mulheres de Siron’.

