A repercussão digital sobre as divisões internas do bolsonarismo ganhou força no WhatsApp e no Telegram após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro postar vídeos criticando Flávio Bolsonaro. O levantamento da empresa Palver aponta que 67% dos usuários manifestaram desfavorabilidade à conduta do senador, impulsionada também por setores da esquerda.
A análise da Palver, que monitora mais de 100 mil grupos públicos, indica que o volume de menções contrárias a Flávio foi intensificado por setores da esquerda, que se uniram à onda de críticas para desgastar a imagem do filho de Jair Bolsonaro. Michelle relatou que Flávio a desrespeitou por telefone após ela criticar, em comício realizado em novembro de 2025, a articulação de aliança do PL com Ciro Gomes.
A discussão se dividiu em três correntes principais. Uma narrativa aponta suposta traição ideológica de Flávio, acusando-o de ignorar a memória do pai em nome de conveniência eleitoral. Outro grupo defende a estratégia eleitoral do acordo no Ceará, criticando a interferência da ex-primeira-dama. Um terceiro grupo foca no pedido de desculpas de Flávio, avaliando o gesto como calculado sob pressão.
A publicação dos vídeos de Michelle inverteu a pauta de debate nas redes. Um relatório do Instituto Democracia em Xeque mostrou que o episódio concentrou 76% das menções diretas entre 24 e 25 de junho, superando o debate sobre a crise do governo Lula, que reteve apenas 24% do foco.

