O Parlamento de Cuba aprovou, por unanimidade, um programa de reformas de livre mercado, uma mudança inédita para a ilha comunista. As medidas abrem a economia para investimentos privados e estrangeiros nos setores de turismo, agricultura, imobiliário, bancário e cambial.
O programa de reformas, considerado o mais profundo em quase 70 anos da história econômica do país, visa transformar empresas estatais em sociedades comerciais. As novas regras autorizam empresas privadas com mais de 100 empregados e permitem a participação de capital estrangeiro no setor privado. Além disso, será possibilitada a abertura de contas em moeda estrangeira para pessoas físicas.
Especialistas indicam que os impactos mais significativos das mudanças ocorrerão de forma lenta. A velocidade da transformação depende da reação dos Estados Unidos às reformas, responsáveis pelo bloqueio econômico cubano. Um pesquisador da FGV comentou que a melhor chance para mudanças mais profundas seria a volta de democratas ao poder nos EUA nas próximas eleições presidenciais.
Apesar da abertura, não foi divulgado um calendário de implementação. O sistema político, dominado pelo Partido Comunista, permanece inalterado. A reforma ocorre em um momento de crise econômica severa, sinalizando uma tentativa de alavancar a economia nacional.

