Cidadãos cubanos utilizam a rota migratória pela Guiana para chegar ao Brasil, seguindo até Roraima, no norte do país. A fuga é motivada pela falta de energia, combustível e alimentos na ilha caribenha. No percurso, os migrantes são aliciados e explorados financeiramente por coiotes.
O aumento dos resgates de cubanos vítimas de coiotes em Roraima acompanha estatística do Ministério da Justiça. Pela primeira vez em uma década, os pedidos de refúgio de cubanos em Roraima superaram os de venezuelanos. No entanto, o fluxo expõe a ausência de uma estrutura organizada pelo governo brasileiro para acolhimento, diferente daquela existente para os venezuelanos.
A jornada começa em Havana, Cuba, e segue para Georgetown, capital da Guiana. De lá, os migrantes chegam a Lethem, na fronteira, e realizam a travessia irregular em botes até Bonfim, no Brasil. Segundo o agente da PRF, Isaías Magalhães, os coiotes exploram a desinformação das vítimas, convencendo-as de que a travessia clandestina é a única opção.
Relatórios indicam que os cubanos pagam até US$ 10 mil pelo trajeto, valor que, segundo a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), equivale a mais de R$ 50 mil. O pesquisador João Carlos Jarochinski, da Universidade Federal de Roraima (UFRR), avalia que as restrições em Cuba favorecem a atuação desses grupos, pois os migrantes temem não conseguir entrar no país.

