Adultos no Brasil enfrentam a sobrecarga de cuidar de pais idosos e filhos em crescimento, um fenômeno que gera estresse e ansiedade. Dados do Instituto Brasileiro de Economia indicam que 955 mil pessoas entre 35 e 49 anos viviam em lares com idosos e jovens até 24 anos em 2023.
A transição demográfica acelerada, marcada pelo aumento da expectativa de vida e queda da natalidade, transformou o cuidado de um gesto episódico em responsabilidade contínua. Essa pressão recai majoritariamente sobre mulheres, que compõem 60,2% dos chefes desses lares, segundo o Instituto Brasileiro de Economia.
Estudos internacionais reforçam a dimensão da sobrecarga. Uma pesquisa recente na Austrália mostrou que mais da metade dos cuidadores dorme mal, e quase dois terços dedicam quase 11 horas semanais aos cuidados. Quarenta e quatro por cento dos entrevistados relatam impacto direto no trabalho.
O peso do cuidado, embora motivado pelo amor, frequentemente não é dividido de forma justa. A falta de apoio social leva a sérios problemas de saúde mental; um a cada cinco adultos nessa situação convive com ansiedade, depressão ou estresse crônico. A imprensa aponta que o Estado precisa intervir com políticas de apoio e licenças para que o cuidado não seja um fardo exclusivamente privado.

