A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) encerrou a obrigatoriedade dos relatórios de sustentabilidade para empresas listadas no Brasil. A medida reverte a decisão anterior que tornava compulsória a adoção dos padrões internacionais IFRS S1 e S2, desenvolvidos pelo Conselho Internacional de Normas de Sustentabilidade (ISSB). Com a mudança, a divulgação dos dados volta a ser voluntária para as companhias.
A CVM havia sido a primeira autarquia mundial a exigir os padrões IFRS S1 e S2, que tratam de riscos gerais de sustentabilidade e riscos climáticos, respectivamente. A regra anterior exigia que companhias abertas brasileiras mapeassem e divulgassem publicamente os riscos ligados à transição energética. Especialista em ESG, Tatiana Sasson, comentou que a decisão gera preocupação com a transparência, pois o acesso dos investidores aos riscos climáticos traria uma camada adicional de informação ao mercado.
A autarquia justificou o recuo citando que muitas empresas declararam não estar prontas para o nível de detalhamento exigido pelos padrões internacionais. Sasson, contudo, avaliou que o movimento representa uma postergação, e não uma mudança de direção, visto que companhias que se preparavam para 2026 tendem a manter o processo mesmo sem a exigência formal.
O ponto sensível do recuo é o impacto no investidor, que perde o acesso a dados comparáveis e auditáveis de forma padronizada. Apesar disso, Sasson afirmou que a pressão de investidores internacionais, especialmente de mercados europeus, mantém a exigência de fatores ESG para empresas brasileiras que recebem capital estrangeiro.


