Um dado positivo de criação de empregos nos Estados Unidos em maio causou queda em bolsas globais, elevação de juros e fortalecimento do dólar nesta sexta-feira (5). O mercado registrou a criação de 172 mil vagas, mais que o dobro da estimativa de consenso, o que sinaliza pressão inflacionária nos EUA.
A reação foi imediata nos mercados. O Ibovespa abriu em queda, cedendo 0,53% por volta das 10h10, a 169.424 pontos. O dólar à vista avançou 0,42%, atingindo R$ 5,088. A análise aponta que um mercado de trabalho aquecido sugere que a economia americana não desacelera o suficiente para conter a inflação, que já se aproxima de 3,8%, acima da meta de 2% do banco central americano.
O Federal Reserve (Fed) pode ser forçado a manter os juros altos ou retomar o ciclo de alta. Os juros americanos funcionam como piso global para o custo do dinheiro; quando o Fed eleva as taxas, os títulos do governo americano se tornam mais rentáveis, atraindo capital internacional de ativos de risco, como ações de países emergentes.
O efeito foi visível nos títulos do Tesouro, cujos rendimentos de dois anos subiram cerca de 10 pontos-base, para 4,15%. Nos mercados de apostas, a probabilidade de aumento de juros em dezembro saltou de 48% para 65%. No Brasil, o Tesouro Prefixado 2029 atingiu novo pico, subindo 15 pontos-base para 14,52% nesta sexta.
Economistas comentaram que a principal questão é se o choque inflacionário do petróleo será temporário. Um analista do Inter afirmou que, caso as pressões inflacionárias persistam, o Fed pode retomar o ciclo de alta de juros.


