O Tesouro Nacional divulgou, nesta segunda-feira (29), que o governo central registrou um déficit primário superior a R$ 53 bilhões. A analista Lucinda Pinto apontou que o aumento das despesas não obrigatórias é o fator principal na deterioração do quadro fiscal do país.
Os dados mostram um descompasso entre receitas e gastos públicos. Em maio, a receita governamental cresceu 5,5%, enquanto as despesas avançaram 9,4%. As despesas não obrigatórias, classificadas como discricionárias, registraram um crescimento expressivo de 128%, o que a analista chamou de “pacote de bondades” adotado pelo governo.
As despesas totais saltaram de R$ 2,39 trilhões para R$ 2,63 trilhões no período analisado. Lucinda Pinto afirmou que a evolução dos gastos não está sendo compensada pela arrecadação, que atingiu nível recorde. Para bancar o nível de gastos, o governo precisa aumentar a cobrança de impostos, o que afeta o setor produtivo e a população.
A analista também alertou sobre a política monetária. Com a taxa de juros atual, o Banco Central busca desacelerar a economia. Essa desaceleração tende a reduzir o ritmo de arrecadação, dificultando o sustento do patamar de despesas até 2027.

