A demanda por capacidade de computação de inteligência artificial (IA) está superando a oferta disponível, um cenário que afeta até mesmo o Google. A escassez, evidenciada por relatos de que o Google limitou o acesso de um grande cliente, indica que a adoção empresarial da tecnologia cresce mais rápido que a capacidade da indústria de suportá-la.
A limitação de capacidade foi noticiada após o Google informar à Meta Platforms, em março, que não conseguiria fornecer toda a capacidade de inferência do Gemini que a empresa desejava adquirir. Segundo a imprensa, essa falta de recursos afetou projetos internos da Meta, forçando a priorização do uso dos modelos do Google. Apesar de o Google ter investido mais de 90 bilhões de dólares em 2025 e planejar dobrar esse valor em 2026, a demanda por Gemini cresceu rapidamente, tornando a capacidade um recurso escasso.
O gargalo da IA mudou do treinamento de modelos para a inferência, que é o poder de processamento necessário a cada interação com a IA. O CEO do Alphabet, Sundar Pichai, declarou que a receita de nuvem seria maior se o Google tivesse mais capacidade disponível, confirmando que o problema é de oferta, e não de demanda. Empresas investem agressivamente, com projeções de gastos superiores a 700 bilhões de dólares em infraestrutura de IA este ano.
Apesar dos investimentos maciços, a expansão da capacidade de IA demanda tempo para fabricação de chips, montagem de servidores e conclusão de data centers. Analistas apontam que a escassez atual é um sinal positivo para a cadeia de suprimentos de hardware, pois indica que o mercado ainda não está saturado.

