A dependência brasileira de fertilizantes importados compromete a segurança alimentar do país, alertou Kátia Abreu. A ex-ministra afirmou que a falta de produção doméstica de insumos estratégicos expõe o agronegócio a riscos geopolíticos, citando conflitos internacionais como fator de vulnerabilidade.
Kátia Abreu declarou que, sem fertilizante, não há produção agrícola, pois o país não fabrica o principal insumo do campo. Ela explicou que a pandemia de Covid-19, a guerra entre Rússia e Ucrânia e tensões recentes entre Irã, Israel e Estados Unidos evidenciaram essa fragilidade. Segundo ela, o Brasil não pode afirmar ter plena soberania alimentar com essa dependência.
A ex-ministra apontou que cerca de um terço dos fertilizantes nitrogenados consumidos globalmente passa pelo Estreito de Ormuz, um corredor estratégico de apenas 39 quilômetros. Ela disse que os produtores brasileiros dependem desse gargalo para plantar suas safras. Embora a reabertura de fábricas da Petrobras ajude, a produção nacional ainda será insuficiente para suprir a demanda.
Como alternativa, Abreu defendeu a expansão da produção via hidrogênio verde, argumentando que o Brasil tem condições de montar fábricas no Centro-Oeste, Matopiba, São Paulo e Sul. Ela estimou que seriam necessários investimentos de cerca de US$ 20 bilhões (R$ 101,8 bilhões) para produzir 10 milhões de toneladas adicionais de nitrogenados. A ex-ministra comparou o potencial ao programa de etanol, defendendo que o país deve investir em hidrogênio verde para se tornar potência em fertilizantes sustentáveis.
Além disso, ela destacou a alta dependência de potássio, que hoje é importado em cerca de 95%. Nos últimos dez anos, o país gastou US$ 123 bilhões (R$ 626,1 bilhões) em fertilizantes importados, recurso que poderia financiar o desenvolvimento nacional.

