A Oracle busca se consolidar no setor de inteligência artificial (IA) através de expansão agressiva em sua infraestrutura de nuvem. A empresa utiliza endividamento substancial para financiar o crescimento, enquanto o mercado avalia se o risco financeiro justifica as altas expectativas de demanda por IA.
A unidade de infraestrutura de nuvem da Oracle (OCI) se tornou uma das plataformas de IA de crescimento mais rápido, impulsionada pela demanda por clusters de GPU e treinamento de modelos de linguagem grandes. Segundo o último relatório de resultados da empresa, o backlog relacionado à IA da Oracle soma cerca de US$ 638 bilhões, um dos maiores do setor de nuvem. As projeções de receita indicam um crescimento significativo, com estimativas de 33% em 2026 e 43% em 2027.
A gestão da Oracle aposta nos custos atuais de empréstimos contra a demanda futura por IA. Contudo, esse modelo difere dos grandes provedores de nuvem, como Microsoft, Amazon e Alphabet, que geram fluxo de caixa livre considerável internamente. A Oracle depende muito mais dos mercados de dívida para financiar sua capacidade. O maior risco, segundo a análise, não é o endividamento em si, mas a concentração de negócios.
Mais da metade do backlog de IA da Oracle está vinculado à OpenAI. Isso torna o caso de investimento da empresa dependente da manutenção dos compromissos por parte desse único cliente. Com a ação da Oracle em queda de 57% de sua máxima em 52 semanas, os múltiplos de avaliação parecem baixos, mas os analistas apontam que o risco de financiamento está refletido no preço das ações. A empresa só se tornará mais atrativa se conseguir diversificar sua base de clientes além da OpenAI.

