O economista Paul Krugman afirmou que a nova rodada de tarifas anunciada pelo governo Donald Trump repete uma estratégia que, segundo ele, tem poucas chances de sobreviver ao escrutínio judicial. A crítica surge após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) investigar parceiros como União Europeia, Japão e Brasil.
Krugman declarou em artigo publicado nesta quinta-feira (4) que a Casa Branca utiliza interpretações amplas de leis comerciais para impor sobretaxas sem aprovação do Congresso. Ele lembrou que parte das tarifas anteriores já foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA, argumentando que a administração busca justificativas legais sucessivas para manter a política.
O USTR sustenta que os países investigados falham em “impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado”. Krugman classificou a justificativa como “uma mentira” e “uma justificativa claramente falsa” para desrespeitar legislação americana e acordos internacionais.
O Brasil está entre os mais afetados, com produtos enquadrados na faixa mais alta de sobretaxa de 12,5% pelo USTR. A Amcham Brasil informou que algumas mercadorias podem enfrentar tarifas acumuladas de até 37,5%. Além disso, Krugman avalia que as tarifas falharam em revitalizar a indústria americana, e pesquisas indicam que 77% dos democratas acreditam que as medidas elevaram os preços para os consumidores.


