Economistas classificaram o comunicado do Banco Central como confuso após a redução da Selic em 0,25 ponto percentual. A decisão, embora esperada pelo mercado, gerou questionamentos sobre a estratégia da autoridade monetária devido à ambiguidade do texto divulgado.
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, explicou que a dificuldade de interpretação decorre da mudança no balanço de riscos. O Banco Central passou a listar quatro riscos de alta e três de baixa para a inflação, sinalizando maior preocupação com o comportamento futuro dos preços, influenciado por conflitos no Oriente Médio e na Europa.
Galhardo observou que, embora o comunicado enfatize a piora do balanço de riscos, ele também deixa aberta a possibilidade de novos cortes de juros, o que gera contradição na mensagem. Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, concordou com a classificação de confusão, afirmando que a ata da reunião, prevista para a próxima terça-feira, será crucial para esclarecer a estratégia.
Luis Leal, da G5 Partners, justificou o corte na mudança temporal da análise, citando que, com o horizonte relevante projetado para o primeiro trimestre de 2028, a inflação ficaria abaixo da meta se os juros fossem mantidos. Contudo, Galhardo questionou como uma projeção de 3,7% para o último trimestre de 2027 poderia convergir para abaixo da meta de 3% poucos meses depois.

