Um editorial criticou a condução do setor elétrico brasileiro, apontando que a falta de planejamento de longo prazo e a rendição a lobbies setoriais criaram desequilíbrio no sistema. As decisões políticas recentes podem gerar custos extras de quase R$ 1 trilhão nas tarifas dos consumidores até 2050.
O levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia citado no texto indica que o Leilão de Reserva de Capacidade responde por R$ 546 bilhões do prejuízo. Além disso, emendas parlamentares destinadas a eólicas offshore inflaram a conta do setor em mais R$ 197 bilhões. O Ministério de Minas e Energia contesta os cálculos, mas a análise afirma que o encarecimento da energia prejudica a competitividade das indústrias nacionais.
A explosão da geração solar distribuída é classificada como sintoma de desorganização. Estímulos antigos continuam ativos mesmo com o país ultrapassando 60 GW dessa fonte. O descompasso entre oferta diurna e consumo real provoca cortes forçados de energia limpa, forçando o sistema a depender de usinas térmicas mais caras após o pôr do sol.
A execução do Leilão de Reserva de Capacidade ilustrou falhas de gestão da equipe do ministro Alexandre Silveira. O Ministério de Minas e Energia alterou parâmetros técnicos e dobrou o preço-teto do certame em apenas 72 horas para atrair investidores, o que gerou contestações jurídicas. A análise conclui que a reviravolta nos preços comprova critérios técnicos mal definidos ou pressão empresarial.


