O diretor do ONS, Alexandre Zucarato, declarou nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, que o El Niño gera preocupação no setor elétrico brasileiro. O risco é a redução das chuvas no Norte, o que pode afetar a operação de grandes usinas hidrelétricas da região.
Zucarato explicou que a principal questão é determinar se a seca atingirá áreas próximas a hidrelétricas cruciais, como Santo Antônio, Jirau e Belo Monte. Essas usinas fornecem contribuição importante para o suprimento de energia nos horários de pico. Ele afirmou que a dificuldade de previsão meteorológica limita a visibilidade a, no máximo, 15 dias.
Como medida de contingência, o ONS planeja preservar reservatórios estratégicos para o atendimento de potência durante a transição para a estação chuvosa. O foco é manter Itaipu e os reservatórios do Sul com o nível o mais alto possível até meados de setembro. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) pode autorizar geração fora da ordem de mérito se a segurança energética exigir.
O histórico aponta que El Niños mais intensos pressionam a conta de luz. Dados da Aneel e da NOAA mostram que, em meses com o fenômeno muito forte, o valor adicional das bandeiras tarifárias foi, em média, 7,6% da tarifa-base residencial, contra 4,7% em meses sem o El Niño.

