Uma empresa ligada ao Google busca autorização governamental para liberar 32 milhões de mosquitos em Flórida e Califórnia. A iniciativa, chamada Debug, utiliza mosquitos machos infectados com a bactéria Wolbachia para interromper o ciclo reprodutivo do vetor de doenças.
A teoria do projeto é que, ao cruzar fêmeas selvagens com machos estéreis, os ovos não eclodem, reduzindo a população de mosquitos ao longo das gerações. O objetivo é combater o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão de dengue, febre amarela e Zika vírus. O pedido de uso da Wolbachia está pendente de aprovação da EPA, e o período de comentários públicos se encerra em 5 de junho.
Apesar de o método de liberação de insetos estéreis ser considerado eficaz por pesquisas, a proposta tem gerado preocupação entre o público. Cidadãos questionam o papel de corporações na alteração de ecossistemas, enquanto especialistas apontam riscos. Um estudo de 2024 indicou que a abordagem Wolbachia é mais amigável ao meio ambiente que a modificação genética, mas alerta para um “risco moderado de dispersar genes perigosos no meio ambiente”.
Os pesquisadores também apontam desafios técnicos, como a necessidade de liberação semanal contínua e a dificuldade de separar machos e fêmeas em larga escala. A Organização Mundial da Saúde ainda não recomendou um sistema específico de separação de sexos, devido à taxa de contaminação de fêmeas. O projeto levanta a questão sobre a dependência de crises de saúde pública em financiamento corporativo.


