A empresa de táxi aéreo CNM Aviação, investigada por suposta ligação com um grupo que envia cocaína para a Europa, recebeu quase R$ 250 mil de campanhas eleitorais em 2022. Os pagamentos vieram majoritariamente do PSD de Minas Gerais, mas também incluíram contratos de candidatos do Partido Liberal (PL) no estado, conforme documentos de prestação de contas.
A CNM Aviação, que pertence à empresária Juliana Costa Nobre Magalhães, foi denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2023 por formação de quadrilha no âmbito da Operação Flight Level. A investigação da Polícia Federal (PF) apura uma organização acusada de transportar drogas do Brasil para a Europa por meio de aeronaves executivas.
Documentos revelam que a direção estadual do PSD contratou serviços da empresa, totalizando mais de R$ 160 mil durante a campanha de 2022. Além disso, a CNM emitiu notas fiscais para campanhas de membros do PL, no valor de cerca de R$ 15 mil cada. A empresa surgiu em 2021, pouco após a Operação Flight Level, e seu endereço coincide com hangar usado pela BHZ Táxi Aéreo, ligada a um dos líderes do grupo criminoso.
Os procuradores do MPF afirmam que a empresária constituiu e administrou a CNM Aviação em nome de outros investigados, visando manter a exploração econômica da estrutura do grupo. A PF rastreou a atuação do grupo após apreensão de 175 quilos de cocaína em Lisboa, Portugal, em 2020.
O PSD declarou que a contratação ocorreu dentro das regras eleitorais vigentes, afirmando que realizou análise rigorosa da documentação da empresa antes de firmar os contratos.

