Empresas de Pouso Alegre, no Sul de Minas, começaram a testar a redução da jornada de trabalho antes do fim da discussão no Senado. A mudança alterou escalas e rotinas de funcionários, com hotéis e restaurantes adotando novos modelos operacionais para enfrentar a escassez de mão de obra.
Um hotel da cidade, que possui 34 funcionários, reorganizou suas equipes. Recepcionistas passaram a trabalhar na escala 12×36, enquanto os demais seguem a escala 5×2. A gerente-geral afirmou que a alteração foi uma estratégia para atrair e manter colaboradores em um mercado competitivo, pois a rede hoteleira estava perdendo profissionais para indústrias.
No setor de alimentação, uma empresária implementou a escala 5×2 para 14 funcionários do restaurante em março. Para viabilizar a adaptação, o estabelecimento deixou de abrir ao público às terças, quartas e quintas-feiras. A decisão envolve custos, pois a contratação de mão de obra tem sido um desafio para empreendedores na região.
Especialistas consideram a antecipação um laboratório para o mercado. O especialista em gestão Danilo Lefol disse que o Sul de Minas possui um mercado de trabalho aquecido e que a mudança torna os segmentos de hotelaria e restaurantes mais atrativos. A Federação do Comércio de Minas Gerais defende debate e apresentou proposta de flexibilização por horas, mantendo direitos trabalhistas.


