A energia solar fotovoltaica brasileira resiste à ameaça de sobretaxas americanas de até 37,5% por depender majoritariamente da China, segundo o especialista André Pereira. O setor, que já representa mais de 20% da matriz elétrica, pode ganhar impulso com o redirecionamento de produção chinesa. Contudo, o setor de biocombustíveis é apontado como a principal vítima potencial das tarifas.
André Pereira, doutor em energia pelo Instituto de Energia e Ambiente da USP, explicou que a blindagem do setor solar ocorre porque a China produz mais de 90% dos painéis solares comercializados no mundo e domina a cadeia logística. Assim, as tarifas americanas, que miram produtos chineses destinados aos EUA, não afetam diretamente o fluxo que abastece o Brasil. Pereira avaliou que o redirecionamento de produção chinesa pode pressionar os preços para baixo, o que pode dar um novo impulso ao setor.
O setor solar brasileiro demonstra expansão consistente, com R$ 313 bilhões em investimentos acumulados, 2,1 milhões de empregos gerados e 4,37 milhões de unidades de geração distribuída instaladas, dados da Absolar. Em contraste, o setor de biocombustíveis é visto como o mais vulnerável. Pereira declarou que uma sobretaxa de até 37,5% comprometeria o plano de expansão, afetando o setor sucroenergético de São Paulo.
O especialista resumiu que o Brasil é reativo às oscilações da política energética internacional, absorvendo com mais intensidade as mudanças impostas pelos Estados Unidos. Ele sinalizou que a proteção natural do setor solar não elimina a necessidade de uma política energética menos dependente de Washington.


