O mercado de crédito privado, avaliado em US$ 1,8 trilhão, mostra sinais de fragilidade, com fundos limitando resgates e especialistas alertando para uma crise. A restrição de saques em instituições como Morgan Stanley e Apollo Global Management indica problemas estruturais decorrentes de empréstimos feitos na era de taxas zero.
Len Tannenbaum, fundador da Tannenbaum Capital Group, afirma que os problemas observados em grandes gestoras são previsíveis. Empréstimos diretos originados entre 2021 e 2022, quando as taxas eram baixas, agora exigem refinanciamento em um cenário de juros mais altos. Segundo Tannenbaum, empresas que pegaram crédito a taxas de cerca de 7% enfrentam agora custos de refinanciamento próximos a dois dígitos.
A dificuldade se agrava com a desvalorização dos ativos. Gestores de fundos negociam empréstimos com valores entre 70% e 90% do valor nominal, e o especialista duvida que esses preços resistam a ofertas reais. Ele aponta que empréstimos problemáticos estão sendo reestruturados em títulos PIK, onde o devedor paga juros com mais dívida, e não com caixa.
Em contraponto ao pessimismo, Tannenbaum está lançando um novo BDC focado em empresas de mercado intermediário inferior. Ele considera os próximos dois anos um período favorável para novos capitais, pois o livro de ativos antigo está comprometido. Essa nova oferta de capital, feita em termos mais rigorosos, representa o movimento estratégico dentro do alerta de crise.

