A queda da taxa Selic entre 2016 e 2020 impulsionou o mercado de fundos imobiliários (FIIs) de nicho para um setor com mais de um milhão de cotistas. Contudo, especialistas apontam que esse crescimento gerou distorções, pois o ativo passou a ser visto sob uma lógica financeira, e não como um investimento imobiliário.
João da Rocha Lima, sócio-diretor do Grupo Unitas e da BR-Capital, declarou que o FII é um produto do mercado imobiliário. Ele explicou que a comparação dos rendimentos dos fundos com os títulos de renda fixa distorce a natureza do ativo, pois os investidores passaram a tratá-lo como um instrumento financeiro de curto prazo.
Rocha Lima afirmou que a popularização ocorreu pela busca por renda em ambiente de juros reduzidos, e não pela compreensão do imóvel como poupança de longo prazo. Ele comentou que a educação sobre o tema não ocorreu, fazendo com que a cota fosse analisada como um instrumento financeiro, o que é prejudicial.
André Freitas, CEO da Hedge Investments, relembrou que o ciclo de expansão começou antes da queda acentuada da Selic, com o ponto mais baixo em janeiro de 2016. Segundo Freitas, a recuperação foi favorecida por um ambiente de maior confiança fiscal, culminando em 2019, ano em que o IFIX subiu mais de 36%.

