Pesquisadores da Unesp, em parceria com cientistas da Espanha e do Reino Unido, descobriram que paisagens agrícolas com pouca alteração temporal sustentam maior diversidade de pequenos mamíferos na Mata Atlântica. O estudo, realizado no Corredor Cantareira-Mantiqueira, indica que plantios perenes, como o eucalipto, são mais favoráveis que culturas de ciclo curto.
A pesquisa, publicada na revista Agriculture, Ecosystems & Environment, analisou 63 locais de amostragem na região, que conecta remanescentes do bioma. Os cientistas capturaram 21 espécies de marsupiais e roedores não voadores, como cuíca e gambá-de-orelha-preta. A metodologia combinou dados de captura de fauna com mapas de uso e cobertura do solo e índices de vegetação obtidos por satélite.
A bióloga Viviane Brito Dias, pesquisadora principal, explicou que a dinâmica dos cultivos influencia a atração desses animais. Dados de vigor da vegetação mostraram que áreas de mosaico, com mudanças frequentes no uso do solo, reduziram a presença de pequenas espécies. Em contraste, áreas com poucas mudanças, como as plantações de eucalipto, apresentaram relação positiva com roedores e mamíferos.
Os pequenos mamíferos, que dependem da estrutura intermediária do habitat, são indicadores da qualidade ecológica. Segundo Dias, o trabalho busca equilibrar a necessidade de produção humana com a persistência das espécies, sugerindo formas de manejar paisagens agrícolas intercalando culturas estáveis com perenes.

