Pesquisadores analisarão a viabilidade ambiental do surfe na modalidade tow-in na Ilha dos Lobos, no litoral norte do Rio Grande do Sul. A prática, proibida desde 2006, ocorre em uma área protegida que é o principal ponto de concentração de pinípedes do país.
A Ilha dos Lobos, localizada a 1,8 quilômetro da costa gaúcha, abriga uma onda considerada por surfistas como uma das melhores do Brasil. A modalidade tow-in, que utiliza embarcações para impulsionar o surfista, é o foco da análise científica. Rodrigo Dornelles, surfista profissional, afirmou que a onda é “uma das melhores do mundo”.
A área possui características ambientais únicas, sendo a única ilha marinha do litoral gaúcho e um ponto fundamental para a conservação da fauna marinha. Os estudos foram autorizados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e são conduzidos pelo Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (Gemars), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com a Associação de Surfistas de Torres (AST).
O objetivo é compatibilizar o esporte com a proteção da biodiversidade. Federico Sucunza, coordenador de pesquisas do Gemars, explicou que a equipe monitorará a variação da área com e sem a prática do surfe ao longo de três anos. A meta é determinar a “carga máxima da unidade para estabelecer critérios de segurança, tanto em relação à biodiversidade, mas também para os surfistas”.

