Setores como etanol e celulose estão entre os mais vulneráveis caso a disputa comercial com os Estados Unidos avance, segundo o professor Rafael Chaves, da FGV EPGE. O economista defende que o Brasil e os EUA busquem uma negociação econômica para proteger as exportações brasileiras.
Chaves afirmou que o debate comercial envolve interesses que são discutidos desde 2025, e que as medidas propostas por Washington ganham contornos políticos, mas têm origem em negociações empresariais. Ele explicou que o agronegócio tende a sofrer menos impacto que a indústria, pois possui mercados alternativos para parte de sua produção, como soja e carne bovina.
Apesar disso, o etanol é uma preocupação devido à forte concorrência global com os Estados Unidos, que é o maior produtor mundial de biocombustível. Produtos de grande escala, como celulose, etanol, suco de laranja e café, enfrentam dificuldades maiores para redirecionar vendas em caso de restrições comerciais, o que gera custos logísticos adicionais.
Além do agronegócio, setores industriais com relações de longo prazo, como autopeças, aço e alumínio, também são afetados. O especialista alertou que transformar a disputa em embate político pode elevar os custos econômicos para o país. Chaves concluiu defendendo que o Brasil e os EUA retomem uma agenda pragmática de negociações para construir um ganha-ganha comercial.


