Os Estados Unidos incluíram o Brasil em uma lista de 60 países que, segundo o governo americano, falham em proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado. A inclusão, anunciada na última terça-feira (2), gera proposta de sobretaxa de até 12,5% sobre produtos importados. Contudo, o combate à prática no território nacional é considerado um exemplo internacional.
A lista foi elaborada pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Os EUA justificam a medida alegando que o Brasil não possui legislação eficaz para impedir a entrada de produtos feitos com trabalho forçado em seu mercado, além de questionar a fiscalização da cadeia produtiva. As críticas americanas focam nos produtos importados, e não no uso de trabalho forçado dentro do país.
No âmbito nacional, o Brasil desenvolveu políticas públicas reconhecidas globalmente desde 1995, quando reconheceu a prática perante a Organização Internacional do Trabalho (OIT). O combate se estrutura em três pilares: fiscalização, responsabilização de empregadores e apoio às vítimas. Nesse período, mais de 68 mil trabalhadores foram resgatados.
O principal instrumento de combate é a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em 2025, foram realizadas 1.594 operações específicas, resultando no resgate de 2.772 trabalhadores em condições ilegais. Essas ações são coordenadas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), que integra o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Polícia Federal (PF) e outras instituições. As vítimas resgatadas recebem apoio social e direitos como o Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado.


