Os Estados Unidos incluíram o Brasil em uma lista de 60 nações que, segundo o governo americano, falham em proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado. A medida, baseada em investigação do Escritório de Comércio dos EUA (USTR), propõe sobretaxa de até 12,5% sobre produtos importados. Contudo, o país é considerado referência internacional no combate à prática em seu território.
As críticas americanas referem-se aos produtos importados, e não ao uso de trabalho forçado dentro do Brasil. O país desenvolveu políticas públicas reconhecidas mundialmente no combate à escravidão moderna desde 1995, quando reconheceu a prática perante a Organização Internacional do Trabalho (OIT). O combate nacional se estrutura em três pilares: fiscalização, responsabilização de empregadores e apoio às vítimas.
A fiscalização é realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por meio do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), que integra diversas instituições, como o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Polícia Federal (PF). Em 2025, foram realizadas 1.594 operações específicas, resultando no resgate de 2.772 trabalhadores e garantindo mais de R$ 9 milhões em verbas trabalhistas.
Historicamente, os casos ocorrem na agropecuária, mas em 2025, 68% dos resgatados estavam em cidades, atuando na construção civil. A legislação brasileira define o trabalho análogo à escravidão como submissão a trabalhos forçados ou jornada exaustiva, englobando servidão por dívidas e condições degradantes, o que representa um avanço legal.


