O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) abriu investigação sobre o uso de trabalho forçado em atividades econômicas brasileiras, focando na carne bovina congelada exportada para a China. O relatório alega que o desrespeito a normas trabalhistas no país permitiu a venda de carne mais barata para Pequim, o que pode levar a tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros.
A investigação do USTR aponta falhas do governo brasileiro em impedir a importação de mercadorias produzidas com violação de leis trabalhistas. O órgão americano sustenta que o uso de trabalho forçado na criação de gado no Brasil “é amplamente documentado”. Os dados mostram que, entre 2015 e 2025, as exportações brasileiras de carne congelada para a China saltaram 17 vezes, atingindo 1,6 milhão de toneladas, enquanto a participação da carne americana caiu de 6% em 2021 para 2% em 2025.
Segundo o relatório, a falha da China em aplicar proibição à importação de produtos com trabalho forçado conferiu vantagem de custo à carne bovina brasileira, distorcendo a concorrência. O USTR afirmou que, embora nem toda importação brasileira tenha usado trabalho forçado, a prevalência do uso sugere que parte dela foi produzida com essa prática. A entidade que representa os exportadores brasileiros de carne bovina, a Abiec, não comentou as alegações.
A análise do USTR também indica que, com fiscalização mais rigorosa, os Estados Unidos teriam registrado maiores vendas de carne bovina para a China. A investigação do USTR abrange 60 países, e o Brasil está no grupo que pode ser taxado em 12,5% após audiência marcada para 7 de julho.

