Os Estados Unidos propuseram uma tarifa adicional de 25% sobre uma lista de exportações brasileiras, conforme decisão do USTR. A proposta, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana de 1974, aguarda decisão final do presidente Donald Trump até 15 de julho.
A medida, que ainda não está em vigor, decorre de uma investigação técnica de doze meses que avaliou seis frentes, incluindo comércio digital e proteção à propriedade intelectual. Segundo o MDIC, cerca de 21% das exportações brasileiras aos EUA estariam diretamente sujeitas à nova alíquota. Dados da XP Investimentos indicam que a tarifa efetiva média sobre as exportações brasileiras subiria de 12,25% para 18,5%, atingindo US$ 9,5 bilhões.
Além da tarifa de 25%, o USTR propôs uma segunda camada de pressão, com tarifa adicional de 10% a 12,5% sobre o Brasil por alegadas falhas no combate ao trabalho forçado. Essa sobreposição de vetores jurídicos distintos pode alterar a leitura inicial de impacto limitado do mercado. O Ibovespa registrou queda após o anúncio desta segunda camada de pressão.
O impacto econômico envolve o câmbio e a política monetária. A tarifa adicional pressiona o dólar, o que encarece importados e insumos industriais. O Banco Central enfrenta o desafio de manter o ciclo de afrouxamento cauteloso, dado o risco cambial e a projeção do IPCA acima da meta.
Para investidores, o monitoramento deve focar na decisão de Donald Trump em 15 de julho, na resposta do Banco Central na reunião de junho e nas concessões brasileiras na negociação. Setores como aço e semiacabados são apontados como mais expostos à nova alíquota.


