O governo brasileiro busca redirecionar produtos para outros países para amenizar o impacto de ameaças de novas tarifas dos Estados Unidos. Duas investigações do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR) recomendaram a imposição de taxas adicionais ao Brasil, que podem começar a valer em julho.
As propostas do USTR incluem uma taxa de 25%, vinculada a práticas comerciais consideradas “desleais”, que afetaria 21% da pauta exportadora brasileira para os EUA. Uma segunda tarifa, de 12,5%, decorre de investigação sobre falhas na proibição de produtos feitos com trabalho forçado. Ambas as cobranças possuem exceções, como petróleo, aeronaves, carnes e café, e estão sujeitas a consulta pública.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil buscará outros parceiros comerciais caso os EUA não desejem adquirir os produtos nacionais. O economista João Carmo, da 4Intelligence, afirmou que, embora o país tenha capacidade de redirecionar exportações, setores dependentes do mercado americano, como máquinas e equipamentos e têxtil, sofrerão maior impacto com as novas taxas.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) apontou que os efeitos variam por segmento. Embora a exportação industrial para os EUA tenha crescido 4,31% entre agosto e dezembro do ano passado, esse aumento se deu apenas pelo desempenho de vendas de cordas de sisal, que não foram sobretaxadas. A queda em confecções foi de 18,34%.


