O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendou tarifa punitiva de 25% sobre diversos produtos brasileiros após concluir investigação sob a Seção 301. A medida expõe fragilidades na diplomacia corporativa nacional e aponta seis práticas comerciais injustas, segundo o órgão.
A decisão do USTR, liderada por Jamieson Greer, possui blindagem técnica, diferentemente de ações anteriores. O órgão justificou as sanções apontando barreiras ao comércio digital, assimetrias na regulação de serviços de pagamento eletrônico, distorções em tarifas preferenciais, morosidade na proteção à propriedade intelectual, disputas sobre etanol e desmatamento ilegal.
A análise de Washington revelou um pragmatismo político, pois setores estratégicos, como o aeroespacial, minerais críticos, café e carne bovina, foram poupados. O especialista Márcio Coimbra, CEO da Casa Política, afirmou que o empresariado brasileiro deve apresentar dados econômicos rigorosos em Washington para demonstrar o impacto do encarecimento nos consumidores e indústrias norte-americanas.
A situação se agrava com a fusão da governança econômica à agenda de segurança nacional dos EUA, que classifica facções criminosas domésticas como terroristas internacionais. O cenário exige que o Brasil redesenhe sua estratégia, devolvendo protagonismo à diplomacia corporativa privada, pois o canal entre governos falhou por desalinhamento de visões de mundo.

