Os Estados Unidos sugeriram a aplicação de tarifas de 10% e 12,5% a 59 países e à União Europeia, após investigações sobre alegações de uso de trabalho forçado. O Brasil corre risco de ter suas tarifas de exportação majoradas em 25% e mais 12,5% cumulativos.
O escritório de comércio exterior americano, USTR, propôs as novas tarifas. A argumentação para as punições possui consistência limitada, mas o governo americano prepara a sustentação de altas barreiras tarifárias. Isso ocorre após a Suprema Corte considerar ilegais as supertarifas decretadas em abril de 2025.
A alegação central do USTR é que trabalhadores americanos sofrem concorrência desleal devido ao “fracasso dos nossos parceiros comerciais mais importantes em abordar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado”. A lista de países tarifados inclui 27 da UE e quase todos aliados dos EUA.
O Brasil foi taxado em 12,5%, mesmo possuindo programa reconhecido de combate ao trabalho análogo à escravidão. O relatório do USTR aponta incongruências, citando o país como exemplo de suspeição de uso de trabalho forçado na pecuária, o que teria beneficiado exportações de carne para a China.
As ações do governo americano geram dificuldades para o Brasil, que, se a dose dupla de punição for confirmada, será um dos países mais taxados do mundo pelos EUA. Além disso, as medidas podem impactar a popularidade do presidente em exercício.


