A Polícia Federal apura que um ex-banqueiro pagou até R$ 400 mil por mês, somado a bônus, a agentes da própria corporação. Os pagamentos visavam obter informações sigilosas de investigações em andamento, conforme documentos da Operação Compliance Zero.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirou o sigilo do material na terça-feira, 16. Os investigadores afirmam que um parente do ex-banqueiro operava os repasses ao agente aposentado. Este intermediário realizava pagamentos por Pix, presentes e um bônus de fim de ano, descrito nos autos como “oferenda” do ex-banqueiro.
O esquema permitia acesso a sistemas internos, como o e-Pol, que registra inquéritos. Esse acesso possibilitava antecipar informações sensíveis de operações. A investigação revelou que, em uma ocasião, o grupo obteve um mandado de prisão contra o ex-banqueiro e repassou o conteúdo a um veículo de comunicação, visando antecipar a informação na estratégia de defesa.
Os relatórios indicam que os pagamentos eram disfarçados como prestação de serviços por meio de uma empresa. Parte dos valores transitava por outra empresa, ligada a um funcionário do ex-banqueiro. O caso integra a Operação Compliance Zero, que apura corrupção e vazamento de dados, e segue sob supervisão do STF. A defesa do ex-banqueiro nega as acusações.

